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Precisamos Mais do Jeito de Gente Simples

por Moysés Simantob

 

 

 

Gente simples sabe das coisas porque anda na terra batida com o pé descalço. Sabe o valor da terra. Pisa descalça porque sabe onde pisa. Pisa na terra-mãe que lhe dá o fruto, o sustento e a própria vida. Essa gente sabe sonhar. Sonha simples. Sonha o sonho possível, que atende as suas necessidades básicas. Essa gente não quer mudar o mundo, quer mudar a si mesma, para na terra e da terra viver melhor. Gente simples está em todos os lugares e em muito maior número que a outra gente. Gente simples inova todos os dias. Não porque receba memorandos ou porque alguém diz que é preciso inovar; inova para sobreviver. Improvisa, faz arremedos, ajeita para ver o que funciona, como funciona e se atende as suas necessidades diárias. Esta é a solução que gente simples busca. Não faz business plan, o que mais tarde não levará a lugar algum.

 

 

 

Gente simples não precisa aparecer; usa calça rasgada, os óculos amarrados com durex, e o sapato com a sola furada. E em dia de festa, veste-se feito galã. Sua força está na palavra e na atitude honesta e criadora de riqueza de autossustento. Essa gente não tem conta de investimento e, assim, não se preocupa com crises financeiras.  Já a conhece há anos, porque aprendeu a viver com menos. Gente simples cria coisas novas todos os dias, mas não tem patentes em seu nome. E nem escreve papers de seus achados para somar pontos em seu curriculum. Apenas conta histórias. Gente simples é marcada pelo desejo de produzir uma vida melhor para si e para os seus. Não seriam estas pessoas, então, os reais defensores do bem público?  Não seriam elas que deveriam nos representar no senado e na câmara dos deputados? Gente simples tem vergonha na cara. Pede desculpas quando erra e aprende com o erro cometido, evitando cometê-lo de novo. Gente simples se esforça para não se parecer com essa outra gente que não tem mais sonhos, sonhos que eram apenas de ordem material. Gente simples tem esperança no Brasil, porque são o Brasil. Gente simples, canta, dança e rola na areia da praia. A outra gente é tensa, tem medo até da sombra, porque tem uma dívida impagável; deve a própria alma.  

 

 

Gente simples sabe das coisas, porque suas histórias passam de pai para filho.

 

E, assim, vão construindo a narrativa de uma vida que a gente não quer e não pode esquecer, bem diferente das histórias que a outra gente estampa, a cada dia, de forma repugnante, nas manchetes dos jornais.