Whirlpool cria máquina de novidades

Com três lançamentos a cada semana, em média, a dona da Brastemp e da Consul, colhe no Brasil os resultados de uma bem estruturada estratégia de inovação

Por Darcio Oliveira

A cada mês saem das fábricas da Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, mais de meio milhão de geladeiras, freezers, fogões, microondas, condicionadores de ar, aspiradores de pó e purificadores de água. Uma parcela importante dessa produção, estimada pelo mercado em mais de 80%, está relacionada a produtos lançados nos últimos três anos. Somente no ano passado, a empresa apresentou ao mercado 160 novos itens, média de três por semana. E deve encerrar 2010 com 200 novidades no portfólio. Desse total, boa parte entra na seleta categoria de produtos inovadores. Essa cultura de inovação rendeu à Whirlpool o primeiro lugar no ranking do prêmio Empresas mais Inovadoras do Brasil, uma iniciativa de Época NEGÓCIOS em parceria com a consultoria AT Kearney.

“Consideramos inovadores aqueles que preenchem três requisitos básicos: devem ser únicos no mercado, beneficiar o consumidor e gerar valor para o acionista”, afirma José Aurélio Drummond, presidente da Whirlpool para o Brasil e América Latina. Hoje, a participação dos produtos inovadores no faturamento da companhia (R$ 6,6 bilhões, incluindo a área de compressores) é de 22%, número que deve subir para 25% até dezembro – um dos percentuais mais altos do mercado brasileiro.

“O segredo da companhia é a combinação de uma bem estruturada estratégia de inovação com os resultados auferidos por esta estratégia nos últimos anos”, afirma José Roberto Dalmolim, diretor da ATKearney.

Confira os principais pilares do sistema adotado pela fabricante da Brastemp, segundo a ATKearney

Estrutura e suporte: Para gerar ideias, a Whirlpool utiliza desde os princípios de inovação aberta, valendo-se de parcerias com universidades, fornecedores e empresas de outros setores, até os tradicionais canais internos de disseminação de sugestões.

Um deles é o Idea Central, ferramenta disponível na intranet e que funciona como ponte entre os funcionários e os líderes da empresa. Outro é Programa Inova, um concurso de design e engenharia que premia alunos e professores inventivos. Na última edição, 35 universidades se inscreveram no prêmio. Periodicamente também são realizados workshops com especialistas em inovação. Executivos da empresa 3M são presença constante nestes eventos.

Organização e Cultura: o processo de inovação envolve todos os funcionários e não há barreira hierárquica. Seu modelo de liderança privilegia o pensamento inovador.

Processo: a dinâmica de inovação criada pela empresa se assemelha muito a um processo industrial, onde as ideias entram como matéria-prima e passam por seis fases (Stage Gates) até que cheguem à etapa de desenvolvimento e se materializem, efetivamente, em produto.

A primeira fase é a reunião do Innovation-board, ou I-board. Trata-se de um grupo de 15 funcionários que se reúne pelo menos uma vez por mês para avaliar as sugestões mais promissoras que brotam dos workshops, da intranet, do Inova ou mesmo das parcerias internas.

O I-Board é formado pela equipe de inovação (I-Team), composta por cinco pessoas, e pelos líderes de cada área de desenvolvimento de produtos da empresa. As reuniões costumam durar duas horas, tempo suficiente para verificar se os projetos se enquadram nos critérios do I-box – um questionário que avalia pontos específicos como receita potencial, viabilidade técnica e relevância para a marca.

Produção: Uma vez aprovados no I-box, os projetos recebem financiamento e entram no Innovation Product Tracking (IPT), o ciclo de desenvolvimento do produto. É a última etapa antes da produção.

Da aprovação da ideia à estreia no mercado, o processo leva 18 meses, em média.