Basf carrega na tinta da inovação

A companhia cria tintas com efeito jeans, de camurça e transforma Suvinil em referência mundial

Por Darcio Oliveira

Fernando Vieira de Figueiredo, vice-presidente da Basf, e Markus Stricker, sócio da A.T.Kearney

Tinta não é um produto que inspira grandes inovações. Tirando variações de cores e uma ou outra alteração na embalagem, não sobra muito espaço para mudanças radicais. Certo? Melhor não insistir nessa tese em uma conversa com o pessoal da Suvinil e Glasurit, marcas de divisão de tintas imobiliárias do grupo Basf. Os químicos da empresa terão mil e um argumentos para provar que o produto que fabricam está longe de ser commodity. Vice-campeão no ranking As Empresas mais Inovadoras do Brasil, uma iniciativa de Época NEGÓCIOS em parceria com a consultoria AT Kearney, o grupo alemão notabilizou-se exatamente por usar bastante tecnologia para “tirar” as tintas da prateleira de material de construção e colocá-las ao lado dos produtos de decoração. Tinta com gel que produz um efeito jeans, já viu? E a que parece camurça? Tem outra sem cheiro e que respinga 70% menos que as concorrentes. “Hoje, 66% de nossas vendas vêm de produtos lançados nos últimos cinco anos”, diz Alfred Hackenberger, presidente da Basf Brasil e sulamericana.

Foi esta busca incessante por novidades, combinada a um processo bem estruturado de gestão criativa que transformou a filial brasileira em referência para as demais divisões de tintas da Basf em outros países. “O que chama a atenção na Basf é seu eficiente funil de inovação”, afirma José Roberto Dalmolim, diretor da At Kearney. Traduzindo: são seis fases de análise de sugestões que brotam de todos os departamentos da companhia e das visitas às casas dos consumidores.

Na primeira, detectam-se os campos de oportunidades para determinada ideia. Feita a triagem, evolui-se para a etapa do business case. Se a viabilidade comercial for comprovada a sugestão segue para os laboratórios de pesquisa, situados em São Bernardo do Campo (SP) e Jaboatão dos Guararapes (PE). O passo seguinte é a elaboração do plano piloto e o posterior lançamento do produto. “Trata-se de um processo prático e altamente produtivo. Boa parte das ideias que passam do segundo estágio acabam nas prateleiras”, afirma Dalmolim.