As invenções da Vale

A mineradora aposta em tecnologias inéditas em suas unidades

Por Darcio Oliveira

Mauro Neves, diretor de planejamento e desenvolvimento da Vale

Com investimentos de US$ 140 milhões, a Vale vem desenvolvendo algumas soluções inéditas no setor de mineração. Por seu trabalho na busca de novas ideias para melhorar seus processos e produtos, a mineradora foi a 6ª colocada no prêmio As Empresas Mais Inovadoras do Brasil, uma iniciativa de Época NEGÓCIOS em parceria com a consultoria A.T.Kearney.

Um bom exemplo do pioneirismo da Vale é o processo de mineração a seco, que aproveita a umidade natural na Mina de Carajás para reduzir a utilização de água nas operações. Além de economizar o equivalente a um ano de consumo de água de uma cidade de 430 mil habitantes (19,3 milhões de metros cúbicos anuais), a tecnologia reduz o gasto de energia em 18 mil megawatts ano. “Ganhamos em eficiência e evitamos o desperdício”, diz Mauro Neves, diretor de planejamento e desenvolvimento da Vale.

Essa, aliás, é uma das regras básicas de inovação da companhia. As ideias vão em frente desde que respeitem o trinômio segurança-eficiência-sustentabilidade. Não por outro motivo, os funcionários da mineradora se uniram a uma equipe de engenheiros da empresa ABB, parceira da Vale, para desenvolver um robô capaz de lavar os imensos caminhões que transportam minério de ferro em Carajás (PA). Sobre trilhos de 19 metros de comprimento, a máquina percorre toda a extensão do veículo, sobe até a cabine (4,5 metros) e identifica o modelo do caminhão por meio de um leitor a laser. As informações são passadas para uma central de operações que prepara o robô para o serviço. Antes dele, a lavagem consumia cinco horas de trabalho de quatro funcionários. Agora, termina em uma hora e meia. Outra ideia que alia segurança e eficiência é a das operações remotas de empilhadeiras e guindastes no terminal marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís (MA). As máquinas são conduzidas pelos antigos operadores por meio de um terminal de comando instalado em um centro de controle ao lado do pátio das empilhadeiras.


A Vale inova em duas vertentes. A primeira delas é a das chamadas necessidades imediatas, caso das empilhadeiras remotas, do robô lavador e da mineração a seco. A segunda é das tecnologias complexas, as pesquisas avançadas. Estas serão feitas pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV), que em breve criará unidades em Belém (PA), Ouro Preto (MG) e São José dos Campos (SP). “Cada um dos centros terá 50 PhDs.”, diz Luiz Mello, diretor do ITV. O investimento nos ITVs supera os US$ 200 milhões.