Este é só o ponto de partida, diz Meira, do C.E.S.A.R

Para o professor, premiar as ideias mais inovadoras serve como inspiração para outras empresas

Por Marcos Todeschini

Uma rede de amigos com um mecanismo parecido com aquele de comunidades virtuais como o Orkut. Foi assim que oC.E.S.A.R. (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) entrou para a lista de empresas mais inovadoras. Por meio de uma rede social interna, denominada a.m.i.g.o.s. (sigla para Ambiente Multimídia para Integração de Grupos e Organizações Sociais), eles fizeram com que o intercâmbio de ideias dentro da empresa fluísse de maneira muito mais ágil. Todos os funcionários recebem um login e senha para participar da rede. Preenchem um perfil, entram em comunidades e começam a dar opiniões sobre os projetos em andamento colocando suas próprias ideias em debate. E todo o processo fica registrado, como se fosse um arquivo.

“Um dos maiores patrimônios são as pessoas e o conhecimento que elas agregam. A rede de a.m.i.g.o.s. permite que a gente canalize melhor o resultado dos nossos talentos e mantenha-os dentro da empresa”, diz Silvio Meira, cientista-chefe do C.E.S.A.R., que na noite de terça esteve em São Paulo recebendo o prêmio As Empresas Mais Inovadoras do Brasil, da revista Época NEGÓCIOS.

Para o professor, a inovação só pode ser considerada como tal quando ela tem impacto no comportamento das pessoas, seja para os consumidores (por meio de novos produtos) ou funcionários (por meio de novos processos de produção).

A rede virtual chama a atenção porque é algo simples, mas ao mesmo tempo de grande resultado. Além de promover um impacto sem precedentes dentro da empresa porque as pessoas passaram a ser mais ativas no fluxo de ideias, ela também reduziu 5% da folha de pagamento porque, com mais gente participando, os funcionários não precisam mais fazer hora extra. “No Brasil somos acostumados a acreditar que somente os projetos que vêm de fora e custam uma fortuna é que são bons. A conquista desse prêmio mostra o contrário”, avalia Meira.

Segundo ele, premiar as ideias mais inovadoras serve como um radar para as outras empresas verem o que está sendo feito de bom no país e, com isso, se inspirarem. “O reconhecimento das empresas inovadoras deve servir para todos, inclusive nós mesmos, não como um ponto de chegada, mas como um ponto de partida. Afinal, inovar tem que ser um processo contínuo”, diz.