Inteligência? O que temos feito dela nas empresas?

No evento realizado na FIESP onde participei como painelista do 3º Seminário Internacional de inteligência Estratégica, o foco do debate foi a “Inteligência Estratégica como ferramenta de gestão do século XXI”.

Quero começar dizendo que entendo inteligência como “uma capacidade mental bastante geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender idéias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência” (Wikipédia). Não é uma mera aprendizagem literária, uma habilidade estritamente acadêmica ou um talento para sair-se bem em provas. Ao contrário disso, o conceito refere-se a uma capacidade mais ampla e mais profunda de compreensão do mundo à sua volta – segundo a “Mainstream Science on Intelligence”, seria algo como ‘pegar no ar’, ‘pegar’ ou ‘perceber’” o sentido das coisas.

Também me chama atenção os estudos recentes do professor Daniel Goleman e Howard Gardner que discriminam as inteligências em

O que nos chama a atenção é a predominância da Linguística.

Gosto também de pensar na obra de Edgar Morin, que nos fez ver a diferença entre uma cabeça bem cheia de uma cabeça bem–feita.

Mas, confesso que atualmente o saber organizacional mais se parece com que o antropólogo inglês Peter Burke, que define a administração moderna sendo algo mais próximo de uns conjuntos de atos de pragmatismos, que dentro do campo da ciência, tecnologia, inovação e arte.

O que pra mim faz todo o sentido…

Ainda dentro do contexto do que chamamos de inteligência estratégica, prefiro pensar em termos de criação coletiva de inteligência.

O seu uso me parece bem interessante, em particular, sob a ótica da Inovação Aberta e dos processos de crowdsourcing, esse modelo de produção que utiliza a inteligência, os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo ou desenvolver novas tecnologias (segundo a Wikipédia, a enciclopédia livre.).

Agora, segundo a Professora Marie Reine Boudarel, pensar em inteligência estratégica consiste ainda em integrar fatores como a intensidade da competição, a competição internacional, a necessidade de criação de valor sustentável, ser capaz de mobilizar recursos técnicos, mobilizar conhecimento, mudanças no panorama econômico e os novos níveis de eficiência e produtividade das empresas,  que exigem soluções criativas.

Nesse sentido, quero lembrar que as empresas que desenvolvem uma prática sistemática de Inteligência de mercado têm cada vez mais se apoiaram em Dinâmica de Sistemas no Brasil, mediante a Sociedade Brasileira de Dinâmica de Sistemas - SBDS – uma associação de direito privado sem fins lucrativos, de caráter científico, cultural e multidisciplinar. Com sede aqui na cidade de São Paulo, e que congrega os profissionais das mais variadas áreas para auxiliar no planejamento e gestão na condução de negócios; no estudo e na definição de políticas corporativas e governamentais; no ensino de ciências de escolas de nível fundamental, médio e superior; e em muitas outras áreas de aplicação.


Dinâmica de Sistemas
pode ser entendida, então, como uma linguagem (computacional) para descrever o comportamento de complexos sistemas ao longo do tempo.

Com a ampla difusão dos ambientes computacionais gráficos, popularizou-se desde o início da década de 90, e o uso de softwares e serviços web de Dinâmica de Sistemas. Permitindo a construção e simulação de modelos de diversos tipos de sistemas: corporativos, econômicos, ambientais, físicos, químicos, biológicos, cadeias produtivas, etc.

Lançada com a publicação do livro Industrial Dynamics (Dinâmica Industrial) em 1961, com a autoria de Jay Wright Forrester, seu uso ainda hoje é pouco conhecido.

E para terminar, será preciso falar dos Living labs e das redes sociais corporativas que representam hoje a socialização do k;

Sobre os Living Labs, são ambientes para inovação aberta  em situações da vida real, onde a inovação é orientada para o utilizador que está dentro do processo de co-criação de novos serviços,  produtos e infra-estruturas sociais em um contexto regional. Catalisar a sinergia das PME Redes Colaborativas e Comunidades Virtuais que podem ser Públicas, Privadas e de Parcerias é o seu maior desafio.

Nos últimos anos os Living Labs tornaram-se um poderoso instrumento para a efetiva participação do  usuário em todas as fases da investigação, desenvolvimento e processo de inovação, contribuindo assim para a competitividade e crescimento de novos negócios, sobretudo, com empresas como Nokia, IBM e Ericsson entre outras tantas.

Desenvolvido pelo Professor William Mitchell, MIT, Boston, MediaLab, and School of Architecture and City Planning. Living Labs é uma metodologia de investigação para detectar, protótipar, validar e refinar soluções complexas em contextos múltiplos e envolventes da vida real

Na Europa tem sido mencionada em quatro contextos:

1. Trazer à vida tecnologia desenvolvida em laboratório e que se aplica em ambientes urbanos, seguindo uma abordagem user centric;

2. Desenvolver serviços de mobilidade para os cidadãos em comunidades próximas de tecnologias de mercado. Foco nos processos centrados no utilizador, nas atividades de co-design e co-criação, nas parcerias público-privadas, e na interação entre produtores e utilizadores;

3. Virtualizar um Living Lab como um contexto sensitivo de metodologia de I&D para multi-site e ambiente multi-stakeholder, para efeitos de criação de novos ambientes de trabalho orientados para perspectivas pan-europeias;

4. Desenvolver iniciativas industriais para validar novos serviços de mobilidade, num modelo centrado no utilizador real (Living Lab Finland Research Community e Public Projects of Dimes)

Como tem dito Gil Giardelli, CEO da Permission “As companhias terão de estreitar a relação com o consumidor, não para controlá-lo, mas para entendê-lo melhor e deixá-lo colaborar com a construção dos produtos.”,

Em suma, inteligência estratégica pra mim é soma de liberdade, conectividade e sustentabilidade, e esta última principalmente porque para que tenhamos um futuro comum as organizações terão que ser além de inovadoras, também sustentáveis, como disse Maurice Strong, (que esteve no topo da organização da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992) “Será preciso que a empresa contribua para alcançar um desenvolvimento socialmente includente, tecnologicamente prudente e economicamente eficiente”.

Eis ai um olhar curioso e provocativo sobre o futuro de ambientes organizacionais e um conjunto de previsões arriscadas sobre o que está para acontecer com a fusão das tecnologias, infra-estruturas e a conseqüente transformação das comunicações nas próximas décadas.

One Response to “Inteligência? O que temos feito dela nas empresas?”

  1. There are times that i dont read more than two lines but i think you can add some value. Cheers !

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